Tecendo a Palavra

Este é um espaço para discussão entre amigos e estudantes com a intenção de libertar seus pensamentos a respeito de assuntos interdisciplinares e socialmente relevantes, seja no âmbito literário / cinematográfico ou a partir de textos midiáticos. O Blog tem também a função de exercitar a linguagem escrita,sobretudo com os estudantes do Ensino Médio da escola em que atuo.

terça-feira, 1 de março de 2011

Hino Nacional de Marcas

Amigos,

Sem pretensão alguma deixo para vocês uma versão bem legalzinha do hino nacional brasileiro. Achei ele quando procurava material para ensinar aos meus alunos o que era um intertexto. Pois bem, achei um exemplo bem legal. Compartilho com vocês mais este texto que considero genial. Se quiserem acompanhar, entoar, fica também o link: http://www.youtube.com/watch?v=DT8WC1F4P3k

Abraços,

Atanael
Postado por Tecendo a Palavra às 14:28 5 comentários:
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O melhor lugar do mundo - Alcides Buss

Caros leitores,

Prometi que traria um outro poema de Alcides Buss, que é um poeta que iniciou carreira em Jlle, mas que hoje vive na capital. A poesia do Alcides é de muita qualidade. É possível encontrar na rede muita crítica positiva a respeito de seu trabalho. Quem tiver interesse procure por ele. Com certeza, em algum momento se sentirá tocado como eu me senti com este poema, abaixo.

Abraços,

Atanael




O MELHOR LUGAR DO MUNDO

O melhor lugar do mundo
é onde
           se pode estar
com a alma pra fora.

Podia ser aqui, não fosse
              o agora.

Podia ser lá, não fosse
              outrora.

O melhor lugar do mundo
é este
         em que o corpo
se deixa ir
         no sentido oculto
e se deixa achar
         no silêncio furtivo.

O melhor lugar do mundo
precisa de olhos e ouvidos
que se lembrem
                        de tudo,
esquecidos de você.

Alcides Buss
Postado por Tecendo a Palavra às 15:20 Um comentário:
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Alcides Buss: Mercedes, La Negra


Caros,

Estava procurando alguns poemas do também catarinense Alcides Buss e me deparei  com uma homenagem que ele fez para alguém sobre qual já falei aqui, Mercedes Sosa, ou seja La Negra, como é carinhosamente chamada na Argentina, sua terra natal, ou no Chile, onde também é muito querida. Fiquei muito feliz por saber que este poeta, a quem admiro muito, também soube apreciar a voz, a personalidade, a sensibilidade e a busca por uma América Latina mais receptiva, mais híbrida e valorosa como Mercedes cantou em Eu só peço a Deus, aqui no Brasil, num dueto com Beth Carvalho. Mercedes soube cantar os seus, entoar o verdadeiro canto da América, como fala Alcides em seu texto. Deixo o link (http://www.youtube.com/watch?v=WyOJ-A5iv5I) para que vocês possam acessar a música que ele menciona em sua homenagem póstuma, no poema Mercedes, La Negra. A música é intitulada Gracias a la vida. Quanto aos textos de Alcides Buss, posto em breve para que vocês possam conhecer o poder das palavras deste homem.

Abraços, meus queridos,

Atanael


MERCEDES, LA NEGRA
Graças à vida, você
de verdade existiu.

Graças à vida, você
de verdade entoou
o canto da América.

Graças à vida, você
dividiu de verdade
a palavra amar;

dividiu de verdade
a palavra justiça;

dividiu de verdade
a palavra querer.

Graças à vida, você
ergueu a ficção
de fazer-nos saber
que somos irmãos.

Graças à arte, você
de sonho se fez
pra todos, pra sempre,
verdade da vida.

Alcides Buss
Postado por Tecendo a Palavra às 14:19 Nenhum comentário:
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Lindolf Bell - O Poema do Andarilho


Amigos,

A poesia belliana ainda é pouco conhecida entre os brasileiros, e até mesmo entre os seus conterrâneos catarinenses. Apesar disso, vale conferir o que esse poeta foi capaz de traduzir a respeito dos sonhos. Fica para vocês O Poema do Andarilho.

Abraços,

Atanael


O POEMA DO ANDARILHO

I
Menor que meu sonho
não posso ser

Mil identidades secretas.
Mil sobras, sombras, mil dias.
Todas palavras e tudo.
Barco de ambigüidade,
sôfregas palavras.
De todas contradições, desencontros,
dos contrários de mim,
andarilho da flecha de várias pontas, direções.
Dos outros seres
que também andarilham.

Pois menor que meu sonho
não posso ser

Andarilho
de ervas sutis
crescidas de noites luzes
becos latinos frêmitos Andes ilhas.
Andarilho
de santos falidos, feridos
de vaidade.
Dos frutos da segurança vã,
vã beleza de repente solidão.

Feitiços, laços, encantamentos.
Prodígios, Tordesilhas, ressentimentos.
Andarilho de perder pele, asa e uso,
mariposa da lua difusa do amanhecer.
Andarilho
de paisagens precárias do sentimento
guardado a sete chaves,
não fotografável,
nem desvendável em câmaras escuras, secretas torturas,
ou à luz de teus olhos surpresos, presos
nos meus olhos, ilhas.
Pois menor que meu sonho
não posso ser


Andarilho.
De insignificâncias magníficas colheitas do nada.
De tudo que ninguém se lembra
nem nunca escreveu.
De uma nuvem veloz reflexo de outra nuvem
andarilha nuvem do sul
de onde vem a luz,
andarilho.


Crescem em mim as palavras sensações mais estranhas
e andarilham.
Arrulho de palavra pousada ave
sobre um minuto de trégua e milagre do tempo
quando o sol se põe atrás do horizonte inquieto
do dicionário
e da dúvida:
armadilha.

na saliva na garganta
na palavra escrita primavera
na capa de um caderno antigo
do Grupo Escolar Polidoro Santiago de Timbó
andarilho de linhas esquecidas tortas velhas trilhas
datas de nascimento e burlescos aniversários
andarilho andorinha
em ziguezague na festa
na face de Deus.

Aos trancos e barrancos, andarilho.
De trincos e garimpos, andarilho.
Andarilho de desafios, desafinos.
De socos recebidos e raros revides,
de atonias em atrofias, andarilho.

Andarilho.
Na diferença palpável da volúpia.
De assédios, impertinências, ideologias.
De recalques,
decalques, vídeos, celulóides, fitas
gravadas da liberdade,
gravatas, contatos, contratos,
andarilho.

Pois menor que meu sonho
não posso ser.


II
Empoleirado em minha gaiola de ineficiência,
andarilho.
Longe de grandes e confortáveis salas
da subserviência, andarilho.
Transitivo, substantivo, adjetivo.
Solto na correnteza do medo, da instabilidade
de tudo, na multidão de afetos.
Eu, claro enigma: sete palmos de terra,
sagrado sopro de todo o sentimento.
Eu, quebrado espelho d’água de Narciso
e fogo de Orfeu entre a paixão
e o definitivo tempo.

Eu estranho a maioria das vezes
na própria terra do poema
onde me sedimento, acidento,
me desencaminho, me aninho,
me enovelo em trama de pouco, em menos,
em quase nada
e mesmo assim andarilho.

Pois menor que meu sonho
não posso ser

eu matéria recalcitrante do futuro.
Eu a nação inteira sob o impacto do sonho.
Eu dissecando a morte sobre a mesa da manhã.
Eu onipresente e diluído na dor geral.

III
Fechei meu expediente da comoção fácil.
Corretores da insegurança:
deixai a sala de frente da precariedade.

Atravesso jejuns, desdéns,
indecisões, hospedarias do tempo.
A luz acesa de hotéis bordéis pobres e mal cheirosos
suicídios alheios pleonasmos.

Atravesso anúncios
e antenas.
Os homens apressados do século XX
e sua matéria veloz de sobrevivência atravesso.
A rua que antes atravessei atravesso outra vez
e a praça onde contornei a liberdade
da palavra
e da liberdade.
volto a atravessar.

Pois menor que meu sonho
não posso ser

Atravesso cartazes de cinema
ofertas do dia de supermercados.
Estádios de futebol, sirenes que falam
de morte inventada em subterrâneos sombrios.
Atravesso lianas, liames, hienas, reconciliações,
pecados capitais e provincianos ais.

Atravesso manchetes
de maré cheia, crescente de vazantes mares,
absurdas frases e as mais absurdas caligrafias,
atravesso sentidos sem sentido nenhum, de repente,
onde me decifro e hieróglifo.

Vácuos, opalas, opalinas, vícios.
Mesuras, curvaturas, arbítrios, alienações.
Tudo atravesso.
Atravesso a casa dos ventos uivantes.
O assombro, a censura,
a navalha na carne.

Atravesso o crime perfeito, utopias,
as profecias todas do país das falas guaranis,
guaranás.

Pois menor que meu sonho
não posso ser

IV
Não afino com instrumento
que se toca à distância
Não proponho propostas de diluição
Não sou agente do vazio
nem de asas que o homem não tem

Se acreditais em sistemas de elocubração
Na gema brilhante do nada
Em recheio de palavras e sofisticados relatórios
Se acreditais em clara batida
nas panelas obscuras da prepotência
Se quereis teorias de mim
Se me quereis longe da paixão:
tirai o cavalo da chuva

Pois menor que meu sonho
não posso ser.

V
Passa o tempo.
Como passa, passou o tempo.
oh! frase feita,
inútil consolo e alívio.

Passo este tempo que me passa.
Passo pontos de interrogação, helespontos,
helespantos.
Passo a ponte, o poente.
Deliberadamente passo
mas sem pressa, passo
a passo.
Passo os fusos horários
e passeio entre o sonho
e as palavras.

Também entre as obscenas por decreto.
Pois menor que meu sonho
não posso ser.

VI
Atravesso compêndios, currículos, apostilas
de silêncio
e minha sombra pisada
por outra sombra
também feita de tudo
e nada
Atravesso simulacros
e arranco o lacre da palavra

Pois menor que meu sonho
não posso ser

atravesso o avesso
E meu barco de travessias
é a palavra terra
cercada de água por todos os lados

Pois menor que meu sonho
não posso ser

Estou do lado de lá da ilha
Aqui disponho de mim
e conheço meu próprio acesso
Aqui conheço a face inversa da luz
onde me extravio
e não cessarei jamais

Pois menor que meu sonho
não posso ser.


(O CÓDIGO DAS ÁGUAS - 1984 )
Postado por Tecendo a Palavra às 07:33 2 comentários:
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Mercedes Sosa - Volver a los 17


Caros,

Li esta frase em um comentário virtual a respeito da música que trago abaixo e resolvi colocar aqui. Diz assim:

"El Amor es la más grande de las manifestaciones de nuestro Creador. De hecho: Dios es Amor.
Dice Violeta Parra que "el Amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes". Es verdad, así lo siento. ¡Viva el amor!
Todo lo que duele es ego, nunca Amor. ¡Viva el amor!

A todos vocês que prezam por música de qualidade fica aí uma da nossa saudosa Mercedes Sosa, uma das maiores intérpretes da música latina que já vi em toda minha vida. Amo a Mercedes e sua música. Fica o link para vocês conferirem e perceberem que não estou exagerando.

http://www.youtube.com/watch?v=BcID17wcZHU


Abraços,

Atanael


Volver A Los 17

Mercedes Sosa

Composição: Violeta Parra
Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
Es como descifrar signos sin ser sabio competente,
Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo como un niño frente a dios
Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Mi paso retrocedido cuando el de usted es avance
El arca de las alianzas ha penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente de rencores y violencias
Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

El amor es torbellino de pureza original
Hasta el feroz animal susurra su dulce trino
Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

De par en par la ventana se abrió como por encanto
Entró el amor con su manto como una tibia mañana
Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín
Volando cual serafín al cielo le puso aretes
Mis años en diecisiete los convirtió el querubín.
Postado por Tecendo a Palavra às 15:25 Nenhum comentário:
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A ESCOLA QUE EU QUERO.


Li e senti desejo de compartilhar com vocês:

Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

Rubem Alves
Postado por Tecendo a Palavra às 17:10 Um comentário:
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Amarelo Manga: A verdade que reluz

Amigos,

Não faz tempo que eu assisti ao filme AMARELO MANGA, dirigido por Claúdio Assis, e fiquei embasbacado. Isso devido à coragem do cara, que em pleno seu trabalho de estreia, numa perspectiva totalmente inovadora, consegue abordar situações muito intrigantes do cotidiano de uma grande cidade.
Com uma sinceridade própria de quem vive a realidade da cidade do Recife ou de qualquer metrópole brasileira, o filme tem como protagonista o povo, sujeito de uma realidade um tanto antagônica para mostrar nas telas do cinema. Mas o diretor o faz. Faz com tanta precisão que chega a causar repugnância em diversos momentos. Como disse o próprio diretor, Amarelo Manga é um soco no estômago.
O enredo desenrola em torno de pequenos núcleos, com personagens marginalizados, sim, mas cada qual com uma história única. Apesar de trazer em seu elenco atores que já trazem no currículo muitos outros trabalhos na linha cult, como Chico Diaz, Dira Paes, Matheus Nachtergaele, Leona Cavalli, entre outros, vale dizer que é necessária muita coragem para assiti-lo. Mas quem consegue tem a oportunidade única de discutir um dos melhores filmes dos últimos tempos, e que tem o amarelo como a grande metáfora, como que sendo a verdade reluzente das coisas gastas, citado também na obra como exemplo de tudo que não presta: doenças, feridas, dentes podres, enfim como muitas vezes deve ser encarada a verdade.
Quem, no entanto, espera um final "fechadinho", ou não conseguiu adentrar na atmosfera que o diretor conseguiu imprimir ao enredo ou vai mais uma vez se surpreender. Pois a intenção de Cláudio Assis, com certeza, foi fazer um cinema visceral, e isso consiste em intrigar o espectador e fazê-lo inferir a verdade presente na obra a seu modo: vermelho, azul, verde, AMARELO...
Postado por Tecendo a Palavra às 14:27 Nenhum comentário:
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Sou Atanael Lemos Corrêa,Psicopedagogo, professor de Literatura e Redação em Instituição Privada de Ensino Médio e Superior, Graduado em Letras e Mestrando em Patrimônio Cultural e Sociedade.
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